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Elos Clube de Itararé
Coluna Semanal

ELOS CLUBE EM FOCO
Lázara A.F.Bandoni


O PRESENTE

A menina de 10 anos, tímida e estudiosa, terminava o quarto ano do Grupo Escolar de Itararé, na época, a única escola da cidade; por essa razão, eram feitas grandes festas de formatura no encerramento do ano letivo. Escolhiam-se patronos que, à tarde, ofereciam uma mesa de doces aos alunos. Cada diplomando tinha um padrinho que o acompanhava no ato de receber o diploma em sessão solene e lhe ofertar um presente. Para a criança, o presente era a parte mais importante da festa.

No dia da festa, uma vizinha veio fazer papelotes nos cabelos da menina, a fim de encrespá-los. A mãe lhe havia feito um lindo vestido de tafetá cor- de- rosa. A menina, com os cabelos cacheados, enfeitados com um laço de fita, sentiu-se linda.

Chegou o dia da festa. A sessão solene se realizava no Cine Teatro São José; No palco, a mesa presidida pelo diretor estava formada por professores e autoridades. Na abertura, o orfeão da escola cantou o Hino Nacional e canções como Luar do Sertão e Casinha Pequenina, muito apreciadas antigamente. Em seguida, vieram discursos que as crianças detestavam porque eram longos e lhes pareciam nunca acabar.

Um a um, o aluno era chamado e devia subir ao palco por uma escadinha lateral, sempre acompanhado pelo padrinho; recebia seu diploma e cumprimentava toda a mesa. Por último, recebia os cumprimentos do padrinho e o tão esperado presente. Era imensa a felicidade de ganhar esse prêmio.

Os diplomandos ocupavam várias fileiras de cadeiras e a menina tímida acomodou- se logo, na primeira poltrona. De repente, percebeu o pai ao seu lado, lhe dizendo:- Filha seu padrinho não pôde vir. Eu vou no lugar dele !

A decepção tomou conta da menina. Não ia ganhar presente. Que vergonha! Todas as crianças teriam seu presente, menos ela. Todos da platéia veriam suas mãos vazias. Desapontada, segurou as lágrimas.

Quando chegou sua vez, ao ouvir seu nome, subiu ao palco de braços dados com o pai que a aguardava próximo da escada. Trêmula, cumprimentou todas as pessoas da mesa; em seguida recebeu o abraço do pai que lhe entregou um grande embrulho, dizendo:- Não abra. São xícaras do boteco do cinema. - Era o disfarce que o pai preocupado encontrou, para a criança não se sentir diminuída pela falta do presente.

A festa terminou e ela devolveu o presente ao pai, lamentando a ausência do padrinho. No dia seguinte, à tarde, o pai lhe trouxe uma feliz notícia. O padrinho ausente, pedindo desculpas, lhe enviou um pequenino presente. Curiosa, a menina desfez o minúsculo pacote, retirando uma caixinha azul e, dentro dela faiscava um lindo anel de marcassita. Ficou encantada. Era o mais lindo presente que já recebera.

O anel acompanhou-a por longo tempo, até não servir mais em seu dedo. O presente foi inesquecível lembrança da festa de formatura.

***

Destaque para o belo poema em homenagem a um itarareense, grande amante das artes:


POEMA PARA A SAUDADE DE ORLANDO BANDONI

(In Memorian)


Já não vejo o Orlando Bandoni
Por onde será que ele anda?
Foi na lojinha
Cativar a freguesia
Ou foi ver o desfile da Banda?



Já não está mais ali na esquina
Da abandonada Praça São Pedro
Ele que era
Amizade sincera
De enfeitar tardes e se aurorar cedo

Já não vejo o Orlando Bandoni
Com toda sua ternura
Foi na Tribuna
Ou na quermesse
Em que astral ele busca a cura?

Já não está mais no Elos Clube
Nem à musa Lázara faz companhia

Está no paraíso
Com a poeta Cecília
Ou o seu amor ainda nos irradia ?

Já não vejo mais o Orlando Bandoni
Sereno, cândido e dinâmico lutador
Em que dimensão
Voa o seu coração
Numa outra vida de paz e amor?

............................................

(Já não vejo mais o Orlando Bandoni)
E no íntimo a saudade é um triste véu
Somos todos órfãos
De seu ser sagracial
E ele foi ser Andorinha no altar do céu)


Poetinha Silas
(Primeiro rascunho para uma saudade 09.06.2002)