Home

Princípios Elistas | Lendas, Crenças e Belezas | Crônicas | Itararé em versos | Itararé em versos II | Itararé em versos III | Outros Poemas | A Imprensa em Itararé - Jornais | Itararé - A História | A Revolução de 1930 | A Revolução Constitucionalista em Itararé | Produção Literária | Produção Literária | Elos com Arte | Álbum de fotografias | Coluna Semanal | Links relacionados | Contatos
Elos Clube de Itararé
Itararé em versos

Realizando Sonhos

Todos sonham e, muitas vezes, de olhos abertos. O pensamento voa em devaneios pelo espaço construindo castelos no mundo etéreo, inundando de prazer o espírito sonhador. É uma viagem pelo infinito onde o ser tudo pode idealizar e conceber. Maravilhoso presente o Criador deu ao homem quando lhe concedeu o dom de sonhar, de povoar o seu mundo com a visualização de cenas que extravasam suas emoções. Espíritos sensíveis envolvendo-se na magia dos sonhos, enlevam-se na sutileza da mensagem poética. E assim nasce a poesia ...

Numa civilização global voltada para o materialismo da ciência e tecnologia, onde interesses econômicos se sobrepõem à elevação do espírito, a educação e a cultura ficam sempre esquecidas. E o homem , esse ser social por excelência, apesar de todas as dificuldades que encontra em sua vivência diária, ainda insiste em sonhar e teima em fazer poesia ...
O Elos Clube de Itararé deu início à valorização da obra literária de nossa terra e, na confirmação desse trabalho apresenta poemas da 1ª Antologia Poética Itarareense.

Lázara A.F. Bandoni

clique aqui para reproduzir o som


A poetisa Cecília Duarte Fogaça diante do painel de Mário Machado(antiga praça Coronel Jordão).

Praça - pintura de Mário machado



ITARARÉ ANTIGA
Cecília Duarte Fogaça


Recordo muito bem da pequena cidade,
minha terra querida, berço em que nasci,
onde me criei, aprendi amar a verdade
e as mais belas coisas da vida conheci.

Itararé, terra de sonhos que eu amo tanto,
as matas, os rios, os verdes campos em flor,
teu povo, a escola, a igreja, tudo era um encanto,
com tua paisagem linda, plena de amor.

Os costumes antigos todos diferentes,
tropeiros e animais, fortes carros- de-boi,
faziam nas estradas ruídos estridentes,
meio de transporte que há muito tempo se foi.

Fogões de lenha, lampiões, uma tortura,
o forno no quintal assando o nosso pão;
casamento a pé pisando a terra dura,
muito engraçado parecia procissão.

O uso de palhetas, a banda no jardim
que aos domingos tocava chamando a atenção,
crianças brincando numa alegria sem fim,
olhares se encontrando em suave emoção

Hoje tudo mudou, mas deixou a lembrança
daquele tempo distante que não volta mais,
em que tudo era vida, alegria e esperança
e o sonho já vivido que saudade me traz.



foto1.jpg


A antiga rua das Tropas, atual São Pedro. Desenho do artista plástico Mário Machado.



GRAÇAS À MINHA CIDADE
Dorothy Jansson Moretti


Itararé que amo tanto,
que me viste pequenina,
da brisa ao meigo acalanto
a correr pela campina,


ou de teus rios num recanto,
me envolves na espuma fina,
ver o sol de eterno encanto
ir descansar na colina...


Segui sempre te querendo,
e extasiada estou vivendo
a sublime maravilha


de entre sonhos tão antigos
ter irmãos nos meus amigos
e me chamares de filha!

ITARARÉ, TERRA DE AGOSTO
Ruy de Jesus Furlani


Eu gosto
desta terra de agosto,
de pisar pelo teu chão,
entre os dormentes
da estação.

Eu gosto...
de andar a pé
pelas pedreiras
da barreira...
gosto, eu gosto
de mergulhar
nas águas claras
do rio Verde,
e dá gosto
mergulhar no sonho
horizontal da XV
ou no plano colorido
da Jordão.
Eu gosto, eu gosto
desta terra de agosto
colorida de florzinhas
meninas moças
jovens mulheres
que vivem a encantar
o Primeirão.

Eu gosto, eu gosto
de andar a pé
por essa terra de agosto
e dá gosto
perambular ao laré
na madrugada
nos barzinhos da cidade,
na madrugada de Itararé.

Eu gosto, eu gosto
de te ver mulher da XV,
da etiqueta do Fronteira,
da pedreira da barreira,
das frutinhas do Caiçara
desta terra de agosto
e dá gosto
viver aqui...
ao laré, a pé
com muita fé
em ti, Itararé!



MINHA TERRA
Pedro Ribeiro Pinto


Quem não se orgulha desta linda terra
Que contemplamos! Qual filho teu, torrão,
nào sente ao peito, o teu porvir que encerra
essa pujança de tua redenção.

Já nào mais dormes, embora tarde surges
Sentindo a vida, de esplendor, de luz!
Do teu passado do marasmo fulges,
Num embalo heroico, minorando a cruz.

Tanto sofreste, já sofreste tanto!
No seio um grito, um lamuriar, um pranto,
Sempre abafaste, não magoando os teus.

E agora imperas. És feliz!... És forte!
Ganhaste a vida sobrepondo a morte,
Pela confiança que tiveste em Deus.